segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Bye Bye ano velho!

Bem, é verdade, se conselho fosse bom não se dava, vendia. Mandarei, logo, os dados da minha conta bancária em off pra todos que me cobraram essas palavras. Brincadeirinha, encarem como um bom papo, pois o clima é de leveza. Dias melhores a todos, sempre.

Sem essa de virar o outro lado do rosto pra apanhar, pras Cucuias essa história de dar a cara à tapa. O tempo tá passando feito uma bala e as pessoas não perceberam ainda que cada um precisa mesmo é cuidar da própria vida. Pro espaço essa história de sofrer de propósito porque cai bem dar uma de salvador da pátria, ninguém liga. No fim, as pessoas acabam mesmo guardando apenas o que as interessam, e coitado daquele que se ofereceu numa bandeja na intenção de ter sua ação reconhecida. Se não estiver nos planos deste ou daquele, apanhou de graça.

Se você tem uma família linda, que te entende e te considera como parte importante, ótimo, parabéns. Se não tem, paciência. Sangue não é cola, nenhum elo é definitivo pelo fato de ser sanguíneo. Cuidado com aquele tradicionalismo barato que apela pra família como se ela fosse pra tudo, pois não é. Dói, mas não é mentira, sobram casos nos jornais pra comprovar o que digo. Pai também mata filho e irmão mata irmão, ou não? Invista em amizades a longo prazo. Elas acolhem bem mais.

Quer uma dica? Encare todos ao redor como professores. E que sejamos então todos mestres. Todo mundo tem algo a ensinar, mesmo os mais sem graça. Se tiver que amar, então que ame. Se tiver que viajar, pé na estrada. Se tiver que partir, caia fora. Se tiver que odiar, deteste com todas as suas forças. Ninguém é menos digno por ser mais humano. Sem essa de dizer que sente pena, a não ser que sinta de verdade. A maioria das vezes não pega bem. Piedade, assim como dinheiro, não funciona na mão de todo mundo. Só os perfeitos não erram, não julgam, não matam. E não existem. Jogue no time "paz e amor", mas esteja pronto pra uma boa briga. Sempre haverá covardes tentando apontar o dedo pra sua cara. Por isso, não tenha medo de arrancar a toalha da mesa. Não libere do castigo aquele que te falta com o respeito, até o pior dos bandidos tem um código de ética.

E já que um novo ano se aproxima, nada de grandes expectativas. Isso mesmo. Ídolos morrem, dinheiro acaba e pessoas mudam, ou mudam-se. Acostume-se. Investir sempre, entender os riscos, idem. Esperar demais acaba sendo uma furada. Desapego é a nova onda, virou sinônimo de amor próprio. Quando passamos a compreender “nossas marés” como passageiras acabamos por gostar da nossa própria companhia. Nada como comprar os próprios presentes, pagar a própria conta no restaurante e dormir por quantas horas der vontade, sem cobranças, sem telefonemas, sem especulações. E só mais uma coisinha, é sobre os amores: olho vivo. Até sentimento tem prazo de validade. Até eles passam. E com razão. Se tiver que dizer alguma coisa, fale em voz alta. Talvez um alguém menos corajoso – e valiosíssimo – esteja precisando há tempos dessa deixa. Feliz ano novo.



P.S. "Sangue não é cola, nenhum elo é definitivo pelo fato de ser sanguíneo" é uma referência feita ao trecho do livro "O efeito Urano", da escritora Fernanda Young. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Então é natal, eis a questão

Então é natal, e o que você fez? Bem, o que você fez ou deixou de fazer, fracamente, não me interessa. Assim como o que eu fiz, creio, não deve importar pra muita gente. Essa é que é a verdade. E viva! Feliz por isso.

Entra ano e sai ano e a mesma ladainha atordoa a vida de meio mundo: perdoar. Ou melhor, passar por cima das feridas, dos desencantos e até por cima do amor próprio por conta desse sentimento que o fundamentalismo religioso estabeleceu que precisa ser concedido nesse período, que é quando todos vestem roupas bonitinhas e fingem gostar uns dos outros. É difícil distinguir, mas compensa quando se consegue: trégua é uma coisa, esquecer, outra e perdoar, uma terceira extremamente diferente. E isso não tem nada a ver com dogmas. Mas sim com o que cada um guarda de mais precioso, que é a sua dor e o que ela trouxe de valor.

Ninguém tem o direito de chegar e dizer na cara dura que eu, você ou outra pessoa precisamos absolver quem quer que seja nas vésperas do Natal pra vivermos melhor o ano seguinte, visto que, quem quer ferir não conta conversa e destrói de batizado a casamento, independente de ser dia santo ou não. Pode parecer estranho, mas vale uma reflexão: perdoar no dia de Natal é dizer entre outras palavras que uma ferida que te abriram no dia 07 de setembro, ou em 23 de janeiro, ou 02 de novembro, tanto faz, de nada valeu. E valeu sim, muito. É com isso que a gente aprende.

Dizem as línguas menos pensadas – ou mais teimosas – que só alcançamos a plenitude quando superamos nossos traumas. Ok, então me diz uma coisa: Você superou aquela traição pdp que o seu ex namorado cafajeste te fez? Superou a puxada de tapete gigante que o seu melhor “amigo” te passou pra conseguir o que queria? Superou a cena em que seu pai alcoólatra espancava sua mãe e seus irmãos sem nenhum motivo? Superou? Passou por cima? Mesmo? Convivem todos juntos como se nada tivesse acontecido? Se sim, meus sentimentos. Vossa majestade precisa mesmo de uma dose cavalar de amor próprio. Não, não estou mandando ninguém comprar uma arma e fazer justiça com as próprias mãos. O buraco é bem mais embaixo.

Se alguém se arrependeu de algo que te fez e/ou precisa que você diga com todas as letras que aquilo são águas passadas isso é da parte dela. Necessidade dela. Dela para com ela. Então, que procure um amigo paciente, um bar ou uma boa terapia e resolva suas questões. Você não tem nada a ver com isso. A gente não tem o poder de selecionar uma situação desagradável, excluir da nossa mente e em seguida, ir à lixeira e esvaziá-la, como se estivéssemos lidando com uma máquina. É aí onde mora a grande evolução.

Sim, eu quero perdoar porque também preciso ser perdoado. Tudo bem. Mas antes disso vem uma coisinha chamada “Empatia”, que é colocar-se no lugar de outra pessoa caso esteja ou veja-se em situação semelhante a que ela viveu. Então eu não faço com esta o que não quero que façam comigo. Essa é a ordem. Não aconselho ninguém a viver em prol de vingança ou descontar suas frustrações em quem está mais próximo, que é o que geralmente acontece. Nem todos temos as mesmas motivações. Viver dessa forma mexe mais com nosso interior do que a gente imagina. Desejo apenas que cada tire pra si a lição que lhe for mais preciosa, seja em vinte e cinco de dezembro ou no primeiro dia do ano.


Orgulhe-se de ser o que é, porque você é o que viveu. Perdoar porque é Natal é o mesmo que dizer que deixaremos passar as atrocidades que nos fizeram em qualquer outra época do ano, pois no fim tudo se supera. E isso não é justo. Certas coisas não merecem perdão. E quem aguentar aguentou. Trauma que é trauma não se supera, aprende-se a conviver com ele, quando muito. Desde que eu não destrua o sonho de ninguém, a forma com que lido com minhas angústias é somente da minha conta. Cabe a cada um transformar a sua dor em algo bom, no seu tempo. Ou não. E se você é daqueles que vez por outra vê-se dando conselhos, sugerindo anistia às dores alheias, que pegue sua digníssima opinião, dobre-a três vezes e devolva pro seu bolso furado. Pra não dizer coisa pior. Zefini.



P.S. um outro sinônimo para "Empatia" seria "Alteridade", que como bem ficou claro, é ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Colocar-se no lugar de.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amor de ex

“Nada pior do que este amor fraterno entre um homem e uma mulher que antes já viveram loucuras. Melhor odiar aquele que você amou carnalmente do que torná-lo irmão. É por isso que todo relacionamento precisa de baixaria para acabar. Para não sobrar nenhum afeto civilizado, muito menos amor. Um amor morto. Amor molenga, flácido, gelatinoso. Amor de madrinha. Um horror.” Desde que li essas palavras da escritora Fernanda Young que minha

cabeça nunca mais foi a mesma. E é certo que ela entendia do que estava falando quando as escreveu. Escritores são assim. E ela faz bem, tanto que não se conta mais nos dedos, há tempos, o tamanho da identificação do público com suas obras. Só quem domina muito um determinado assunto pode expressar com precisão a sensação de dar de cara com alguém cuja intimidade já fez parte da sua. Não há coisa mais estranha. E por mais que uma ou outra criatura "civilizada" teime em defender que sempre é possível cultivar uma "amizade saudável" ao fim de um relacionamento, continuo achando que o melhor mesmo é manter uma distância considerável. Ainda mais se o término foi uma coisa meio que sem pé nem cabeça, tipo “ficamos por aqui e cada um vai pra um lado. No futuro se a gente se esbarrar, bem. Se não, paciência”.

É desse tipo de pacto que nasce uma maldição que dura a vida de um burro. Sim, porque das duas, uma: ou você foge quando dá de cara com aquele zumbi ou se for um eterno apaixonado morgará em vão a expectativa de que aquela vez pode dar certo. E não vai, ambos sabem. É verdade: o tempo passa, o mundo é uma escola e todo mundo merece uma segunda chance. Mas ex não é “todo mundo” e faz parte de um time de exceções apenas por uma razão, que de tão lógica quase sempre é esquecida: se fosse coisa boa não seria ex, e sim, atual. 

Ok, você é uma pessoa evoluída espiritualmente e tem no peito um coração que só sabe amar. Mas isso são predicados que cabem apenas a você e não precisam ser externados, muito menos virar uma bandeira a ser levantada. Portando, nada de manter vínculos com o “falecido”, mesmo que ele seja a reencarnação do Marlon Brando. Tudo tem um limite. E se tem uma coisa que não contribui em nada na vida de ninguém é ficar pagando de simpático pra quem não merece. 

Nada de ligar pra perguntar como vai a vida, isso e aquilo mais. Aliás, o único motivo pra manter salvo um número desses é pra gravá-lo na lista negra do celular. Redes sociais então, nem pensar. Aí é dar um tiro no pé. Não há coração desencantado que resista às atualizações de um ex. Caso não possa fugir dessa, bom senso sempre. Aguente na sua ou o exclua. Comentar foto de maneira mimosa ou curtir a mudança no status de relacionamento é o fim da picada. É como afirmar de maneira documentada que ainda sente algo por aquela pessoa ou que acompanha os seus passos. Resumindo, o cúmulo da falta de noção. 

Por falar nisso, manter contato com familiares também não rola. E "Karmas" como esses não faltam. Sempre tem uma cunhada carente pra dar uma de amiga, um primo desocupado pra fazer a ponte e sem falar na pior categoria da espécie: a sogra-mala inconformada. Elas são capazes de tudo pra conseguir o que querem. Criam situações, fingem doenças, até se adaptam ao mundo digital e quando pensamos que estamos livres, elas aparecem cobrando visitas e não medem esforços quando o assunto é “eu sei o que é o melhor pro meu filho”. Corra para as colinas. 

É numa hora dessas que penso nas palavras da Fernanda e por uns instantes cogito a ideia de passar, de leve, pelo terreno do "cortar o mal pela raiz". Às vezes, é bem melhor manter distância por conta de uma raiva do que proximidade por comodismo ou falsa expectativa. Pamonhice tem limite. Amor próprio manda lembranças. 


P.S. tudo aqui escrito são impressões baseadas em experiências. Quem tiver seus ex e adjacências e manter com eles relações maravilhosas, que continue. Até pra isso há exceções.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Amarello Amor

Gosto é gosto. Pessoas são pessoas. E celebridade é igual a nariz: cada um admira uma por um motivo. Algumas aprendemos a gostar, outras suportamos, infelizmente, por educação. E existem também aquelas que, por glória, amamos de graça. E Carolina – sim, na maior intimidade – é uma dessas. Falo por mim. E é assim desde os tempos em que apresentava o Fantástico, de cabelinho curto, terninho e tudo mais. Não, isso não tem nada de fanatismo. É apenas simpatia. Mesmo porque todos temos defeitos e ela tem os dela, e isso não vem ao caso. É bonita, classuda, tem cara de rica, dá umas gargalhadas maravilhosas e ainda por cima, adora boteco e pastel de feira. Sim, deve ter, vez por outra, uma crise de estrelismo. Mas qual criatura no lugar dela não teria?

Então. Além de ter começado a carreira artística como modelo, trabalhado como apresentadora, feito sucesso como atriz, ela também escreve e produz alguns projetos pessoais. Por sinal, tem umas sacadas ótimas e articula uns textos que quem lê, à primeira vista, duvida mesmo que tenha sido ela quem tenha escrito (impressão essa desfeita quando você decide ler ou assistir qualquer entrevista dela).


O mais famoso deles, Amarello Amor, uma película onde atua, narrando e interpretando, de forma verdadeira suas sensações frente às suas experiências amorosas, em especial, uma delas, é uma obra prima. Tá certo, a voz da criatura ajuda e a produção é impecável. Mas o que chama a atenção, de fato, é a qualidade do texto e a maneira como suas frases estão dispostas. Trata-se de um daqueles filmes que de tão bom dá vontade de salvá-lo pra ouvir antes de dormir. Vicia de tão bonito. E faz com que nos coloquemos no lugar da narradora pensando sobre nossas próprias experiências. Em um pouco mais de três minutos são sintetizadas as mais simples verdades de uma vida. Abaixo segue o vídeo, na íntegra. Espero que gostem.

(Para acompanhar o vídeo com calma você pode pausar a música no topo da página)


Destaque para o trecho:

“Todos nos carregamos com nós uma história. Aquela que só nos atrevemos a lembrar, quando durante a noite no escuro, encostamos nossas cabeças no travesseiro e o silêncio cala fundo. Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem. Mas então, numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido. Percebemos que amor igual não há e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referência afetiva mais sincera e profunda”.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desconfie

Desconfie de tudo e de todos. Desordenadamente, em qualquer circunstância. Desconfie ainda mais quando não tiver motivos pra desconfiar.

Desconfie de quem não gosta de iogurte e mais ainda: de quem diz que gosta, mas joga fora a tampa do copinho sem dar aquela lambida básica.

Desconfie de quem não gosta de chocolate. Quem não gosta de chocolate não pode ser de Deus. Rs. Saiba separar: não gostar é diferente de não poder. Releve apenas o caso dos alérgicos. Desconfie também de quem não gosta de café e sorvete. Aplique a esses casos a mesma regra do chocolate.

Desconfie de quem não gosta de farofa. E também de quem não curte feijoada. E mais ainda de quem evita falar sobre dietas. Precisar é uma coisa, outra, é não fazer. Pessoas normais falam sem medo algum.

Desconfie de quem diz não gostar de dinheiro. Aí mora o perigo: esses gostam além da conta. E saiba, não ostentar é diferente de não se importar. Desconfie, também, de cara, de quem muito gosta, de verdade.

Desconfie também de quem empresta dinheiro como quem empresta uma caneta. Dica: não existe almoço grátis. Um dia você pagará a conta e de uma forma que nem desconfia.

Desconfie de quem sorri demais. Dessa vez não por malícia, mas sim por segurança. Desconfie também de quem não sorri por nada. Saiba, existem sim criaturas naturalmente sem graça, do tipo que não movem a boca pra nada. Desconfie, aliás, dos que falam demais. Também. Geralmente são ruins de cama. Ruins, sim, porque péssimos mesmo são aqueles ótimos, de verdade, que “falam” demais.

Desconfie de quem some do nada. Mas de quem some sem deixar vestígios somente pra você. Aqueles que manténs contato, mesmo que virtualmente e uma vez por mês ainda merecem confiança.

Desconfie de quem fede logo de manhã cedinho. E desconfie, ainda mais, de quem não fede nem cheira em momento algum. Literalmente. Pelo menos quem fede aparenta estar vivo. E isso já é muito.

A propósito, desconfie também de quem se emperiquita demais. Mas dessa vez cuidado! É preciso estar atento: daí pode vir um desastre ecológico ou a oitava maravilha do mundo. Saiba, pessoas, por natureza, lindas, não são cientes de que fazem parte desse grupo. Eu falei "lindas". E se sabem, são boas a ponto de serem modestas.

Desconfie de si mesmo. E desconfie de quem confia demais nos outros. Pessoas desse tipo adoram culpar Deus e o mundo por das burrices. Você está nesse grupo? Então desconfie.

Desconfie também em quem jura demais e ainda mais de quem jura de pé junto que não tem raiva de nada nem de ninguém. Esse tipo de gente costuma levar as mágoas pro caixão.

Desconfie, desconfie e desconfie. E quando achar que pirou de vez e está desconfiando muito, coloque-se no lugar dos que te cercam e perceba que pode está sendo alvo de desconfiança. Isso vai te fazer ver os outros com outros olhos. Como dizia o Carl, conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.



P.S. Carl Jung, médico e pensador suíço. Considerado o pai da psicologia analítica. Seus estudos influenciaram áreas do conhecimento humano como a antropologia, a sociologia e, claro, a psicologia. Seu legado permanece até hoje.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Ponto Final

A gente investe, compra, valoriza. Pessoas, bens materiais e tudo o que há de mais sagrado. Nessa mesma sequência ou mudando a ordem dos fatores, sem problemas. Mil e uma bugigangas. Faz disso a nossa vida. E de repente, perde uma coisa ou outra e passa dias com cara de tacho, se achando a mais desafortunada das pessoas. Pira num mar de desgosto e solta a máxima “essas coisas só acontecem comigo”.

Daí passa um dia, outro e mais outro. E você lá, uma semana, duas, meses arquejando. Remoendo o que foi e não volta mais. Quando, num piscar de olhos - força de expressão, lógico – recebe “um sacode”, que pode ser desde a morte de um ente querido à uma lição de moral vinda de um amigo já com o saco cheio, e chega, então, à conclusão de que nada daquilo que perdera era importante como imaginava. Aliás, até era. Era, num passado quase “perfeitinho”. A gente só se dá conta mesmo do próprio despreparo pra lidar com as perdas no instante em que se separa do que julgava ser dono. Essa é a verdade.

É. Existem coisas mais importantes pra me preocupar, pensa. E é essa consciência que te faz sair do buraco: pessoas com bem menos sobrevivem, até com mais qualidade. Diga-se de passagem. Tal “coisa” já foi tarde. Dito e feito, dois caminhos nos levam ao aprendizado, o amor ou a dor. Esse ditado já é velho. Se um não funciona, que venha o próximo. Grana é importante. Um emprego mais ainda. Pessoas, aí sim, nem se fala. Mas dormir sabendo que possui qualquer um desses não faz de ninguém uma criatura feliz pra sempre.

Às vezes por inocência, ou burrice mesmo, a gente se vende por muito pouco. Guarda tranqueiras que nem ao lixo serve e faz questão de viver num mundo de fantasia, cujo Rei não passa de um otário sentado numa poltrona velha. E sobre "esses" nos fingimos de cegos. Foi por isso que me lamentei tanto? E aí? E aí que ninguém precisa passar por isso. Não dessa forma: superfaturando o que a vida fez o favor de tirar do caminho. Existe um limite pra tudo. E esse mora ali, grudado com o amor próprio.

E sabe o que é melhor nisso tudo? O mercado está aí pra provar que ninguém é insubstituível. Nada melhor do que chegar aonde se chegou com o direito de questionar: o que perdi realmente me acrescentava? Sou hoje uma pessoa mais sozinha ou menos medíocre? A resposta é uma só: aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido. E admitir que algo não te pertence mais não significa que vá ter que apagar da memória. Ponto final. Aceite, siga sua vida. Talvez tudo isso seja uma maneira que o “acaso” encontrou pra te dizer que você merecia coisa melhor. Dói menos pensar assim.

domingo, 31 de março de 2013

Com carinho, com afeto

“É assim que é o abraço, uma fita dando voltas. Então o amor e a amizade são isso. Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço”. (Maria Beatriz Marinho dos Santos).

Muita coisa relava a nossa personalidade. Uma leve mordida nos lábios ao pensar numa bobagem, um piscar de olhos ao passar por um constrangimento, um olhar atravessado ao cruzar com um desafeto e assim vai. Dizem, por exemplo, que o abraço é um fator determinante na especulação sobre quem se avalia. Fala-se também que o ato de abraçar é coisa enraizada da cultura latina. E que os brasileiros, então, dominam como ninguém essa prática. Ou mania, em alguns casos. Dependendo do nível de entrega, pra algumas pessoas mais opiniosas, é possível até captar com que tipo de pessoa se está lidando. Pra esses, o encostar dos corpos, o entrelaçar dos braços, o encaixe perfeito das pernas e o repouso exato da cabeça entregam a "vítima" do enlace. Esse último pra minha pessoa fala tudo, principalmente. Através disso crio uma impressão, dou minha sentença.

Não sei se por saber que é ela quem governa todo o resto do corpo, mas avalio sem o menor pudor as pessoas com as quais me entrego a esse gesto. É simples. Se me abraçou e repousou sua cabeça na minha ganhou um ponto. Claro que a coisa funciona em conjunto com os outros itens do pacote. Mas esse sim é o meu medidor oficial. Mesmo porque doutos na arte da falsidade sabem como poucos unir os seus corpos aos nossos, nos entrelaçar com seus braços pegajosos e encaixar suas coxas nas nossas sem transpassar a menor das angústias. Assim mesmo.

Desconfio cegamente de quem não abraça. Pelo menos até que encontre algo que justifique. E desconfio mais ainda de quem abraça e não toca o rosto. Porque uma coisa é encontrar um amigo num ônibus lotado e bancar o inconveniente. Outra é vê-lo num shopping e acenar com palidez por vergonha ou machismo. Definitivamente, não quero próximo de mim pessoas desse tipo. As que longe do "grande público" são doces e fraternas, mas na rua te avaliam como se estivessem numa entrevista de emprego. Quanto aos “duas caras”, deixo a cargo da habitual antipatia que meia dúzia já julga. É o preço. Não há com o que se preocupar. E antes que me julguem, isso é tão somente uma questão de sensibilidade, de opinião, uma vez que, ninguém obriga ninguém a nada.

Só isso. Abrace mais, independente de cara feia. Perdemos grandes chances de sermos melhores ao abdicarmos de determinadas atitudes. E não estou sugerindo que ninguém abrace o mundo com as pernas. Mas a gente nunca sabe o que se passa na cabeça das pessoas com as quais convivemos. Talvez quem você menos espera esteja precisando um pouco mais de atenção. Talvez você seja essa pessoa. É com quase absoluta certeza que afirmo que quem se deixa chegar perto permite-se também tocar. P.S. O título do texto foi inspirado sim na música "com açúcar, com afeto", do Chico Buarque de Holanda. Obra essa que sempre me agradou, tanto pelo conteúdo quanto pela sonoridade de seu nome. Não deixei exatamente igual apenas pra não passar uma impressão de "puxa-saquismo-barato", rs... Coube-me, com isso, poupar o "açucar". Espero não ter ficado menos doce.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tudo passa

“É difícil dizer adeus, mas é preciso fazer mudanças. Quem perde a oportunidade de dizer adeus também perde a chance de dizer um novo olá”. (Maria da Graça Xuxa Meneguel, 1995).

Pois é. “Perdi” o meu celular no primeiro dia útil ano, 02 de janeiro. Todos os contatos acumulados nos últimos cinco anos perdidos sem previsão de retorno. E tudo porque tinha me habituado a salvar os números no próprio aparelho. Fiquei sem nenhum deles pra contar história. Fato esse que me fez pensar: coisa melhor não poderia poderia ter acontecido. Afinal, guardar quase quinhentos números e manter contato com, no máximo, cinquenta é gostar mesmo de juntar cacareco. “O que não rende falta não faz”, não é assim que falam? Gente que morreu, mudou de país, de número, de estado. Amigos de infância, de baladas e assim vai. Tudo perdido, quem prestava e quem não prestava. Até conseguir recuperar os meus chips foram quase três dias de depressão. Fazer de supérfluos uma necessidade não traz nada de bom pra ninguém. Definitivamente. E quando falo de supérfluos me refiro às pessoas.

Às vezes, a gente se apega demais. E é a tudo, quase sempre sem ao menos notar. E vai, com isso, cultivando a falsa impressão de que pode abraçar o mundo com as pernas. Considerando como essencial até o suprassumo do descartável. Guardando pra um futuro pouco provável pessoas perdidas no tempo. Deixando de sobreaviso um lugar que poderia estar sendo ocupado por criaturas menos tacanhas. E só me dei conta disso aos quarenta e sete do segundo tempo. Por sorte.

É fato: o novo só chega quando é pra ocupar um lugar que já é seu, e pra isso a casa precisa estar limpa. Caso contrário, nada flui. Nunca pensei em dizer o que vou afirmar e não me considero, agora, necessariamente, um “herege”, mas a única saudade que senti foi da função-despertador. Rs. De ouvir aquele barulhinho em determinado momento do dia. Equívoco esse já resolvido, uma vez que, dei-me conta também que tratava-se de mais um péssimo costume adquirido nesse meio tempo. Ainda bem que o tal do relógio biológico não perdoa a ninguém e comigo não haveria de ser diferente, continuei acordando nos mesmos horários.

É com toda satisfação que digo: nada supera a prazer de começarmos de novo. De saber que o que importa encontra uma maneira de ultrapassar o inútil. E nessa mesma semana, quase todos os contatos que julgava importantes me mandaram felicidades pelas mais diversas redes sociais, devido a entrada do ano novo. Reavi, assim, o que certamente no futuro me faria falta. E sobre o resto nem digo nada. Passou, não mora mais aqui comigo, cedeu lugar pro novo. Que é o que espero pra esse ano. O passado tem exatamente o lugar que merece, no passado. 2013 vai dar certo e até ele vai passar. Tudo passa, nada é permanente.
Denis Jonas.


P.S. A ideia inicial era de começar o texto com a citação do já famoso trecho "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares", mas presenciei tanta gente “sem-noção” vomitando-o sem a menor consideração pelo verdadeiro autor (típica atitude de quem nunca pegou num livro, mas que enche as redes sociais com frases de efeito), que resolvi optar pela citação da Xuxa, que nem de longe lembra o Fernando Pessoa, mas que soltou essa pérola com semelhante sensibilidade. Por essas e outras que adoro quase todas as entrevistas concedidas à Marília Gabriela. A propósito, o texto do qual foi retirado o trecho que citei chama-se O medo: o maior gigante da alma, de autoria do Fernando Teixeira de Andrade, Professor de literatura da UNIP. Podem “postar” que é verdade, rs.