Desconfie
de tudo e de todos. Desordenadamente, em qualquer circunstância. Desconfie
ainda mais quando não tiver motivos pra desconfiar.
Desconfie
de quem não gosta de iogurte e mais ainda: de quem diz que gosta, mas joga fora
a tampa do copinho sem dar aquela lambida básica.
Desconfie
de quem não gosta de chocolate. Quem não gosta de chocolate não pode ser de
Deus. Rs. Saiba separar: não gostar é diferente de não poder. Releve apenas o
caso dos alérgicos. Desconfie também de quem não gosta de café e sorvete.
Aplique a esses casos a mesma regra do chocolate.
Desconfie
de quem não gosta de farofa. E também de quem não curte feijoada. E mais ainda
de quem evita falar sobre dietas. Precisar é uma coisa, outra, é não fazer.
Pessoas normais falam sem medo algum.
Desconfie
de quem diz não gostar de dinheiro. Aí mora o perigo: esses gostam além da
conta. E saiba, não ostentar é diferente de não se importar. Desconfie, também,
de cara, de quem muito gosta, de verdade.
Desconfie
também de quem empresta dinheiro como quem empresta uma caneta. Dica: não
existe almoço grátis. Um dia você pagará a conta e de uma forma que nem
desconfia.
Desconfie
de quem sorri demais. Dessa vez não por malícia, mas sim por segurança.
Desconfie também de quem não sorri por nada. Saiba, existem sim criaturas
naturalmente sem graça, do tipo que não movem a boca pra nada. Desconfie, aliás, dos
que falam demais. Também. Geralmente são ruins de cama. Ruins, sim, porque
péssimos mesmo são aqueles ótimos, de verdade, que “falam” demais.
Desconfie
de quem some do nada. Mas de quem some sem deixar vestígios somente pra você.
Aqueles que manténs contato, mesmo que virtualmente e uma vez por mês ainda
merecem confiança.
Desconfie
de quem fede logo de manhã cedinho. E desconfie, ainda mais, de quem não fede
nem cheira em momento algum. Literalmente. Pelo menos quem fede aparenta estar
vivo. E isso já é muito.
A
propósito, desconfie também de quem se emperiquita demais. Mas dessa vez
cuidado! É preciso estar atento: daí pode vir um desastre ecológico ou a oitava
maravilha do mundo. Saiba, pessoas, por natureza, lindas, não são cientes de
que fazem parte desse grupo. Eu falei "lindas". E se sabem, são boas
a ponto de serem modestas.
Desconfie
de si mesmo. E desconfie de quem confia demais nos outros. Pessoas desse tipo
adoram culpar Deus e o mundo por das burrices. Você está nesse
grupo? Então desconfie.
Desconfie
também em quem jura demais e ainda mais de quem jura de pé junto que não tem
raiva de nada nem de ninguém. Esse tipo de gente costuma levar as mágoas pro
caixão.
Desconfie,
desconfie e desconfie. E quando achar que pirou de vez e está desconfiando
muito, coloque-se no lugar dos que te cercam e perceba que pode está sendo alvo
de desconfiança. Isso vai te fazer ver os
outros com
outros olhos. Como dizia o Carl,
conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma
humana, seja apenas outra alma humana.
P.S. Carl Jung, médico e pensador suíço. Considerado o pai da psicologia analítica. Seus estudos influenciaram áreas do conhecimento humano como a antropologia, a sociologia e, claro, a psicologia. Seu legado permanece até hoje.