segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amor de ex

“Nada pior do que este amor fraterno entre um homem e uma mulher que antes já viveram loucuras. Melhor odiar aquele que você amou carnalmente do que torná-lo irmão. É por isso que todo relacionamento precisa de baixaria para acabar. Para não sobrar nenhum afeto civilizado, muito menos amor. Um amor morto. Amor molenga, flácido, gelatinoso. Amor de madrinha. Um horror.” Desde que li essas palavras da escritora Fernanda Young que minha

cabeça nunca mais foi a mesma. E é certo que ela entendia do que estava falando quando as escreveu. Escritores são assim. E ela faz bem, tanto que não se conta mais nos dedos, há tempos, o tamanho da identificação do público com suas obras. Só quem domina muito um determinado assunto pode expressar com precisão a sensação de dar de cara com alguém cuja intimidade já fez parte da sua. Não há coisa mais estranha. E por mais que uma ou outra criatura "civilizada" teime em defender que sempre é possível cultivar uma "amizade saudável" ao fim de um relacionamento, continuo achando que o melhor mesmo é manter uma distância considerável. Ainda mais se o término foi uma coisa meio que sem pé nem cabeça, tipo “ficamos por aqui e cada um vai pra um lado. No futuro se a gente se esbarrar, bem. Se não, paciência”.

É desse tipo de pacto que nasce uma maldição que dura a vida de um burro. Sim, porque das duas, uma: ou você foge quando dá de cara com aquele zumbi ou se for um eterno apaixonado morgará em vão a expectativa de que aquela vez pode dar certo. E não vai, ambos sabem. É verdade: o tempo passa, o mundo é uma escola e todo mundo merece uma segunda chance. Mas ex não é “todo mundo” e faz parte de um time de exceções apenas por uma razão, que de tão lógica quase sempre é esquecida: se fosse coisa boa não seria ex, e sim, atual. 

Ok, você é uma pessoa evoluída espiritualmente e tem no peito um coração que só sabe amar. Mas isso são predicados que cabem apenas a você e não precisam ser externados, muito menos virar uma bandeira a ser levantada. Portando, nada de manter vínculos com o “falecido”, mesmo que ele seja a reencarnação do Marlon Brando. Tudo tem um limite. E se tem uma coisa que não contribui em nada na vida de ninguém é ficar pagando de simpático pra quem não merece. 

Nada de ligar pra perguntar como vai a vida, isso e aquilo mais. Aliás, o único motivo pra manter salvo um número desses é pra gravá-lo na lista negra do celular. Redes sociais então, nem pensar. Aí é dar um tiro no pé. Não há coração desencantado que resista às atualizações de um ex. Caso não possa fugir dessa, bom senso sempre. Aguente na sua ou o exclua. Comentar foto de maneira mimosa ou curtir a mudança no status de relacionamento é o fim da picada. É como afirmar de maneira documentada que ainda sente algo por aquela pessoa ou que acompanha os seus passos. Resumindo, o cúmulo da falta de noção. 

Por falar nisso, manter contato com familiares também não rola. E "Karmas" como esses não faltam. Sempre tem uma cunhada carente pra dar uma de amiga, um primo desocupado pra fazer a ponte e sem falar na pior categoria da espécie: a sogra-mala inconformada. Elas são capazes de tudo pra conseguir o que querem. Criam situações, fingem doenças, até se adaptam ao mundo digital e quando pensamos que estamos livres, elas aparecem cobrando visitas e não medem esforços quando o assunto é “eu sei o que é o melhor pro meu filho”. Corra para as colinas. 

É numa hora dessas que penso nas palavras da Fernanda e por uns instantes cogito a ideia de passar, de leve, pelo terreno do "cortar o mal pela raiz". Às vezes, é bem melhor manter distância por conta de uma raiva do que proximidade por comodismo ou falsa expectativa. Pamonhice tem limite. Amor próprio manda lembranças. 


P.S. tudo aqui escrito são impressões baseadas em experiências. Quem tiver seus ex e adjacências e manter com eles relações maravilhosas, que continue. Até pra isso há exceções.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Amarello Amor

Gosto é gosto. Pessoas são pessoas. E celebridade é igual a nariz: cada um admira uma por um motivo. Algumas aprendemos a gostar, outras suportamos, infelizmente, por educação. E existem também aquelas que, por glória, amamos de graça. E Carolina – sim, na maior intimidade – é uma dessas. Falo por mim. E é assim desde os tempos em que apresentava o Fantástico, de cabelinho curto, terninho e tudo mais. Não, isso não tem nada de fanatismo. É apenas simpatia. Mesmo porque todos temos defeitos e ela tem os dela, e isso não vem ao caso. É bonita, classuda, tem cara de rica, dá umas gargalhadas maravilhosas e ainda por cima, adora boteco e pastel de feira. Sim, deve ter, vez por outra, uma crise de estrelismo. Mas qual criatura no lugar dela não teria?

Então. Além de ter começado a carreira artística como modelo, trabalhado como apresentadora, feito sucesso como atriz, ela também escreve e produz alguns projetos pessoais. Por sinal, tem umas sacadas ótimas e articula uns textos que quem lê, à primeira vista, duvida mesmo que tenha sido ela quem tenha escrito (impressão essa desfeita quando você decide ler ou assistir qualquer entrevista dela).


O mais famoso deles, Amarello Amor, uma película onde atua, narrando e interpretando, de forma verdadeira suas sensações frente às suas experiências amorosas, em especial, uma delas, é uma obra prima. Tá certo, a voz da criatura ajuda e a produção é impecável. Mas o que chama a atenção, de fato, é a qualidade do texto e a maneira como suas frases estão dispostas. Trata-se de um daqueles filmes que de tão bom dá vontade de salvá-lo pra ouvir antes de dormir. Vicia de tão bonito. E faz com que nos coloquemos no lugar da narradora pensando sobre nossas próprias experiências. Em um pouco mais de três minutos são sintetizadas as mais simples verdades de uma vida. Abaixo segue o vídeo, na íntegra. Espero que gostem.

(Para acompanhar o vídeo com calma você pode pausar a música no topo da página)


Destaque para o trecho:

“Todos nos carregamos com nós uma história. Aquela que só nos atrevemos a lembrar, quando durante a noite no escuro, encostamos nossas cabeças no travesseiro e o silêncio cala fundo. Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem. Mas então, numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido. Percebemos que amor igual não há e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referência afetiva mais sincera e profunda”.