É a capacidade de responder
positivamente a um trauma psicológico sofrido. Ao pé da letra, é um
termo emprestado da física que faz referência à disposição que possuem alguns
materiais em acumular energia quando submetidos à determinadas tensões. Ser
resiliente, então, é ser resistente. É atuar como uma mola perante um fracasso.
Há alguns meses comprei, sem
grandes pretensões, o livro Doidas e
Santas, da já conhecida escritora Martha Medeiros. E mesmo sabendo que se
tratava de uma obra maravilhosa, confesso que adquiri apenas pela vaidade de
tê-la nas mãos. Seria mais um daqueles livros que leria por osmose, apenas com a pretensão de catar
um ou outro trecho marcante. Mas como quanto mais a gente se
programa mais se surpreende, eis que me deparo, logo no início, com a crônica
“Obrigada por insistir”. Nela, a autora dedica grandes vitórias pessoais à
pessoas que chama carinhosamente de “empurradores”, que nada mais são do que
todas aquelas que, de alguma maneira, nos fazem enxergar algo de positivo em
nossas derrotas.
Pirei? Talvez, mas não por isso.
A relação entre os dois assuntos que acabo de citar é uma só: a consciência de
que crescemos, também, através de empurrõezinhos dados por pessoas nem sempre
tão amigáveis. É a prova definitiva de que tudo ocorre dentro de um propósito,
de um plano secreto quase
sempre mal interpretado por quem vive. Sendo que é justamente entre quando
sofremos o baque e o momento em que
saímos do coma onde mora o xis da
questão. Nessa fase é necessário uma mistura muito da boa de tempo, birita e amigos pra que cheguemos à velha conclusão “mesmo
sem querer aquel(a) FDP acabou me
fazendo um bem danado”. E é aí que vem o pensamento: precisei passar por isso pra ser quem sou hoje.
Penso que cada um reage como
pode e convém àquilo que lhe é ofertado. E nos tornamos, com isso, o resultado do
que vivemos. Cabe a quem escapa saber onde empregar tal mérito, sendo que pra tudo
existe um limite. Uma coisa é saber que tal atitude nos fez ver a vida por
outro ângulo. Outra, é ser grato a um psicopata por ter escapado de um atentado
que ele mesmo calculou. É verdade, ainda existem pessoas que escolhem essa
segunda opção. Síndrome de Estocombo cabe em outro post, rs.
É lógico que se pudesse
escolher, colocaria empurradores na
vida de todos os que tenho apreço. E nem preciso dizer que o exemplo que usaria é o do livro, prezando sempre pelo lado cor de rosa da vontade alheia. Mas
infelizmente não é assim que a banda toca e nós jamais teremos esse tipo de controle.
Vivo, então, com a certeza de que o que chega, através de quem quer que seja, vem
por um bom motivo. Foi por isso que fiz minhas as palavras da Martha e, com
todo respeito, teci pra algumas pessoinhas dotadas de espírito solidário meus sinceros agradecimentos:
Obrigado, mesmo. Ter me alertado aos quarenta e sete do segundo tempo
que não teríamos futuro me poupou de carregar uma cruz pro resto da vida.
Obrigado por ter me dito, daquela maneira, que moderna
mesmo era a sua pessoa e que eu não jamais teria tato pra viver ao seu lado.
Trocar saliva com mais de uma boca por noite nunca foi meu forte, mas é certo
que eu precisava mesmo degustar outros sabores.
Obrigado por ter me feito ver que aprender a
nadar era um sonho por demais pequeno. Cheguei à conclusão de que o que eu precisava
mesmo era de uma casa na praia. Ela já existe e é nela que fico nos fins de
semana, quando dou umas boas braçadas, em outras companhias. A vista daqui é sempre
linda. E obrigado também por ter me comprovado que a Europa não era bem ali como
eu imaginava e que o “Idioma” era a pior das minhas barreiras. Encarei isso
como uma sugestão e agora tenho aulas de espanhol três vezes por semana. Daqui há
dois meses quando eu estiver por lá tentarei pensar em você, em outra língua,
claro. Foi pra tudo isso que você serviu.
Espero ter sido claro e ter empurrado, também.
P.S. A crônica “Obrigada por insistir” está na página 15 do livro Doidas e Santas. Quem quiser lê-la e comprovar tudo o que citei na íntegra é só colocar o título no Google, aqui mesmo, na página inicial do Blog, que o mesmo irá sugerir uma infinidade de opções. Boa sorte.
P.S. A crônica “Obrigada por insistir” está na página 15 do livro Doidas e Santas. Quem quiser lê-la e comprovar tudo o que citei na íntegra é só colocar o título no Google, aqui mesmo, na página inicial do Blog, que o mesmo irá sugerir uma infinidade de opções. Boa sorte.