“É
difícil dizer adeus, mas é preciso fazer mudanças. Quem perde a oportunidade de
dizer adeus também perde a chance de dizer um novo olá”. (Maria da Graça Xuxa
Meneguel, 1995).
Pois é.
“Perdi” o meu celular no primeiro dia útil ano, 02 de janeiro. Todos os
contatos acumulados nos últimos cinco anos perdidos sem previsão de retorno. E
tudo porque tinha me habituado a salvar os números no próprio aparelho. Fiquei
sem nenhum deles pra contar história. Fato esse que me fez pensar: coisa melhor
não poderia poderia ter acontecido. Afinal, guardar quase quinhentos números e
manter contato com, no máximo, cinquenta é gostar mesmo de juntar cacareco. “O
que não rende falta não faz”, não é assim que falam? Gente que morreu, mudou de
país, de número, de estado. Amigos de infância, de baladas e assim vai. Tudo
perdido, quem prestava e quem não prestava. Até conseguir recuperar os meus
chips foram quase três dias de depressão. Fazer de supérfluos uma necessidade
não traz nada de bom pra ninguém. Definitivamente. E quando falo de supérfluos
me refiro às pessoas.
Às vezes,
a gente se apega demais. E é a tudo, quase sempre sem ao menos notar. E vai,
com isso, cultivando a falsa impressão de que pode abraçar o mundo com as
pernas. Considerando como essencial até o suprassumo do descartável. Guardando
pra um futuro pouco provável pessoas perdidas no tempo. Deixando de sobreaviso
um lugar que poderia estar sendo ocupado por criaturas menos tacanhas. E só me
dei conta disso aos quarenta e sete do segundo tempo. Por sorte.
É fato: o
novo só chega quando é pra ocupar um lugar que já é seu, e pra isso a casa
precisa estar limpa. Caso contrário, nada flui. Nunca pensei em dizer o que vou
afirmar e não me considero, agora, necessariamente, um “herege”, mas a única
saudade que senti foi da função-despertador. Rs. De ouvir aquele barulhinho em
determinado momento do dia. Equívoco esse já resolvido, uma vez que, dei-me
conta também que tratava-se de mais um péssimo costume adquirido nesse meio
tempo. Ainda bem que o tal do relógio biológico não perdoa a ninguém e comigo
não haveria de ser diferente, continuei acordando nos mesmos horários.
É com
toda satisfação que digo: nada supera a prazer de começarmos de novo. De saber
que o que importa encontra uma maneira de ultrapassar o inútil. E nessa mesma
semana, quase todos os contatos que julgava importantes me mandaram felicidades
pelas mais diversas redes sociais, devido a entrada do ano novo. Reavi, assim,
o que certamente no futuro me faria falta. E sobre o resto nem digo nada.
Passou, não mora mais aqui comigo, cedeu lugar pro novo. Que é o que espero pra
esse ano. O passado tem exatamente o lugar que merece, no passado. 2013 vai dar
certo e até ele vai passar. Tudo passa, nada é permanente.
Denis
Jonas.
P.S. A
ideia inicial era de começar o texto com a citação do já famoso trecho "Há
um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do
corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos
lugares", mas presenciei tanta gente “sem-noção” vomitando-o sem a menor
consideração pelo verdadeiro autor (típica atitude de quem nunca pegou num
livro, mas que enche as redes sociais com frases de efeito), que resolvi optar pela
citação da Xuxa, que nem de longe lembra o Fernando Pessoa, mas que soltou essa
pérola com semelhante sensibilidade. Por essas e outras que adoro quase todas
as entrevistas concedidas à Marília Gabriela. A propósito, o texto do qual foi
retirado o trecho que citei chama-se O medo: o maior gigante da alma, de
autoria do Fernando Teixeira de Andrade, Professor de literatura da UNIP. Podem
“postar” que é verdade, rs.