A gente
investe, compra, valoriza. Pessoas, bens materiais e tudo o que há de mais
sagrado. Nessa mesma sequência ou mudando a ordem dos fatores, sem problemas.
Mil e uma bugigangas. Faz disso a nossa vida. E de repente, perde uma coisa ou
outra e passa dias com cara de tacho, se achando a mais desafortunada das
pessoas. Pira num mar de desgosto e solta a máxima “essas coisas só acontecem
comigo”.
Daí passa
um dia, outro e mais outro. E você lá, uma semana, duas, meses arquejando.
Remoendo o que foi e não volta mais. Quando, num piscar de olhos - força de
expressão, lógico – recebe “um sacode”, que pode ser desde a morte de um ente
querido à uma lição de moral vinda de um amigo já com o saco cheio, e chega,
então, à conclusão de que nada daquilo que perdera era importante como
imaginava. Aliás, até era. Era, num passado quase “perfeitinho”. A gente só se
dá conta mesmo do próprio despreparo pra lidar com as perdas no instante em que
se separa do que julgava ser dono. Essa é a verdade.
É.
Existem coisas mais importantes pra me preocupar, pensa. E é essa consciência
que te faz sair do buraco: pessoas com bem menos sobrevivem, até com mais
qualidade. Diga-se de passagem. Tal “coisa” já foi tarde. Dito e feito, dois
caminhos nos levam ao aprendizado, o amor ou a dor. Esse ditado já é velho. Se
um não funciona, que venha o próximo. Grana é importante. Um emprego mais ainda.
Pessoas, aí sim, nem se fala. Mas dormir sabendo que possui qualquer um desses
não faz de ninguém uma criatura feliz pra sempre.
Às vezes
por inocência, ou burrice mesmo, a gente se vende por muito pouco. Guarda
tranqueiras que nem ao lixo serve e faz questão de viver num mundo de fantasia,
cujo Rei não passa de um otário sentado numa poltrona velha. E sobre
"esses" nos fingimos de cegos. Foi por isso que me lamentei tanto? E
aí? E aí que ninguém precisa passar por isso. Não dessa forma: superfaturando o
que a vida fez o favor de tirar do caminho. Existe um limite pra tudo. E esse
mora ali, grudado com o amor próprio.
E sabe o
que é melhor nisso tudo? O mercado está aí pra provar que ninguém é
insubstituível. Nada melhor do que chegar aonde se chegou com o direito de
questionar: o que perdi realmente me acrescentava? Sou hoje uma pessoa mais
sozinha ou menos medíocre? A resposta é uma só: aconteceu a única coisa que
poderia ter acontecido. E admitir que algo não te pertence mais não significa
que vá ter que apagar da memória. Ponto final. Aceite, siga sua vida. Talvez
tudo isso seja uma maneira que o “acaso” encontrou pra te dizer que você
merecia coisa melhor. Dói menos pensar assim.
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