Não havia
outra maneira de começar essa categoria de posts,
já que desde quando me deram a ideia de criá-la que associei, de cara,
a este livro. Exatamente. Minha relação com ele é meio platônica – perdão pelo clichê, visto que,
sempre que entrava em alguma livraria ele me surgia disponível em meio a tantos
outros. Mas como nada que vem de graça costumamos dar o devido valor, o deixava
de lado e apanhava outro com mais apelo. Voltava pra casa frustrado.
Sempre
gostei do Nelson. Dos temas que discutia, da forma como fazia, dos sentimentos
que suas obras expressavam. Começou quando Engraçadinha foi adaptado pra TV em forma de minissérie. E a paixão aumentou quando o Fantástico começou, um ano depois, a exibir os
episódios de “A vida como ele é”. Ficava imaginando quais as motivações desse
homem que sintetizava tão bem o “verdadeiro” ser humano. Real mesmo, já que pra
ele todo mundo é o que é de fato. Não existe essa de mascarar um defeito, uma
falha. E é aí onde mora o bom da coisa: todos somos capazes de tudo: invejar,
matar, praguejar, trair, cometer suicídio ou até mesmo tacar fogo no próprio
corpo.
Enfim. A
obra reúne cem ótimas crônicas distribuídas em quase 500 páginas. Um livro
bonito, grosso – uns dois dedos de espessura em páginas de papel bege e
especial. Pra andar agarrado ao peito. Pura qualidade, o melhor do Nelson.
Destaque pro pontapé inicial dado com a fatídica “O inferno” e pras já famosas A dama da lotação, O justo, Ódio de
Cunhada, Cemitério de bonecas e A mulher do próximo. E o que continua
chamando atenção, mesmo com quase seis décadas da criação da maioria dos
textos, ainda é a sagacidade dos temas abordados numa época marcada pela
repressão e defesa dos já famosos “bons costumes”.
Um detalhe
interessante é que quando descobri tal livro, tratava-se de uma outra edição,
de bolso, por sinal, capa azul, letrinha miúda, folhas brancas e com uma
caricatura do autor na capa. Editora Saraiva. Uma espécie de tijolinho. Esse que descrevi ao
longo do texto é um livro maior, com o dobro do tamanho do que tinha interesse.
Editora Nova Fronteira. Compõe uma homenagem ao centenário do Nelson. O ganhei
sem saber de sua existência, num amigo secreto em família, no qual passei
uma lista de dez outros que desejava receber. Uma surpresa maravilhosa. Prato
cheio pra quem gosta de ler a vida como ela verdadeiramente é.

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