terça-feira, 6 de novembro de 2012

Resiliência



É a capacidade de responder positivamente a um trauma psicológico sofrido. Ao pé da letra, é um termo emprestado da física que faz referência à disposição que possuem alguns materiais em acumular energia quando submetidos à determinadas tensões. Ser resiliente, então, é ser resistente. É atuar como uma mola perante um fracasso.
Há alguns meses comprei, sem grandes pretensões, o livro Doidas e Santas, da já conhecida escritora Martha Medeiros. E mesmo sabendo que se tratava de uma obra maravilhosa, confesso que adquiri apenas pela vaidade de tê-la nas mãos. Seria mais um daqueles livros que leria por osmose, apenas com a pretensão de catar um ou outro trecho marcante. Mas como quanto mais a gente se programa mais se surpreende, eis que me deparo, logo no início, com a crônica “Obrigada por insistir”. Nela, a autora dedica grandes vitórias pessoais à pessoas que chama carinhosamente de “empurradores”, que nada mais são do que todas aquelas que, de alguma maneira, nos fazem enxergar algo de positivo em nossas derrotas.
Pirei? Talvez, mas não por isso. A relação entre os dois assuntos que acabo de citar é uma só: a consciência de que crescemos, também, através de empurrõezinhos dados por pessoas nem sempre tão amigáveis. É a prova definitiva de que tudo ocorre dentro de um propósito, de um plano secreto quase sempre mal interpretado por quem vive. Sendo que é justamente entre quando sofremos o baque e o momento em que saímos do coma onde mora o xis da questão. Nessa fase é necessário uma mistura muito da boa de tempo, birita e amigos pra que cheguemos à velha conclusão “mesmo sem querer aquel(a) FDP acabou me fazendo um bem danado”. E é aí que vem o pensamento: precisei passar por isso pra ser quem sou hoje.
Penso que cada um reage como pode e convém àquilo que lhe é ofertado. E nos tornamos, com isso, o resultado do que vivemos. Cabe a quem escapa saber onde empregar tal mérito, sendo que pra tudo existe um limite. Uma coisa é saber que tal atitude nos fez ver a vida por outro ângulo. Outra, é ser grato a um psicopata por ter escapado de um atentado que ele mesmo calculou. É verdade, ainda existem pessoas que escolhem essa segunda opção. Síndrome de Estocombo cabe em outro post, rs.
É lógico que se pudesse escolher, colocaria empurradores na vida de todos os que tenho apreço. E nem preciso dizer que o exemplo que usaria é o do livro, prezando sempre pelo lado cor de rosa da vontade alheia. Mas infelizmente não é assim que a banda toca e nós jamais teremos esse tipo de controle. Vivo, então, com a certeza de que o que chega, através de quem quer que seja, vem por um bom motivo. Foi por isso que fiz minhas as palavras da Martha e, com todo respeito, teci pra algumas pessoinhas dotadas de espírito solidário meus sinceros agradecimentos:
Obrigado, mesmo. Ter me alertado aos quarenta e sete do segundo tempo que não teríamos futuro me poupou de carregar uma cruz pro resto da vida. Obrigado por ter me dito, daquela maneira, que moderna mesmo era a sua pessoa e que eu não jamais teria tato pra viver ao seu lado. Trocar saliva com mais de uma boca por noite nunca foi meu forte, mas é certo que eu precisava mesmo degustar outros sabores. Obrigado por ter me feito ver que aprender a nadar era um sonho por demais pequeno. Cheguei à conclusão de que o que eu precisava mesmo era de uma casa na praia. Ela já existe e é nela que fico nos fins de semana, quando dou umas boas braçadas, em outras companhias. A vista daqui é sempre linda. E obrigado também por ter me comprovado que a Europa não era bem ali como eu imaginava e que o “Idioma” era a pior das minhas barreiras. Encarei isso como uma sugestão e agora tenho aulas de espanhol três vezes por semana. Daqui há dois meses quando eu estiver por lá tentarei pensar em você, em outra língua, claro. Foi pra tudo isso que você serviu.
Espero ter sido claro e ter empurrado, também.

P.S. A crônica
“Obrigada por insistir” está na página 15 do livro Doidas e Santas. Quem quiser lê-la e comprovar tudo o que citei na íntegra é só colocar o título no Google, aqui mesmo, na página inicial do Blog, que o mesmo irá sugerir uma infinidade de opções. Boa sorte.

Um comentário:

  1. Nos cursos de Gestão e na área de Educação, a capacidade de ter "resiliência" vem se tornando uma competência tão importante quanto a de ter talento para uma atividade. De nada adianta ser um gênio no que faz se é fraco para lidar com as adversidades. Um bom exemplo disso é o (agora) ex-jogador de futebol Adriano: titular de Copa do Mundo, ídolo duma torcida fanática, grande atacante (de fazer gol quando quisesse), mas que sucumbiu ao alcóol e à noitada quando o pai faleceu anos atrás. Perdeu tudo por não ter a tal resiliência.

    Confesso que estou adquirindo resiliência na marra, com as "porradas" que a vida vem me dando. Não sei se me tornei uma pessoa mais forte, mais esperta, mais segura ou simplesmente mais fria, mas que tem feito um bem danado pro ego, isso devo admitir.

    A vida deve ser uma evolução contínua e os traumas vividos são as melhores formas de valorizamos o que podemos conquistar de bom no futuro. Como diz a sabedoria popular: "se a vida te oferecer um limão, então faça uma limonada".

    (Recomendo a leitura do livro "Inteligência Emocional", de Daniel Goleman, que trata dum assunto diretamente relacionado à resiliência. Segue o link: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/367765/inteligencia-emocional)

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