Há quanto tempo eu não te escrevo, não te vejo, não te sinto. Hoje, mesmo com toda correria que já me é de costume tive a oportunidade de dar uma escapulida e te escrever essa carta. Não sei se você notou, mas fiz questão de ser sincero, como no tempo em que éramos confidentes. Notou que já se passou quase uma década desde nosso último encontro? Pela ausência, te peço desculpas. Infelizmente foi preciso, uma espécie de chamado. Você sabe, todos nós precisamos crescer, estudar, trabalhar, blá blá blá, cumprir com essa rotina politicamente correta que as pessoas fazem pra se sentirem honradas e comigo não podia ser diferente. Francamente, eu te adoro, mas conciliar a tua companhia com tudo isso nunca seria possível. Minha vida ao teu lado era sempre uma algazarra e nem só de pão vive o homem. Fui obrigado a me privar de tua companhia pra só assim entender melhor o teu valor e “venhamos e convenhamos”, não sendo isto, tua influência ia acabar me deixando eternamente com cara de adolescente, esperando eternamente pela "Sessão da tarde". Não falam por aí que tudo tem sua hora? De uns dias pra cá notei que esse ditado se encaixou perfeitamente nessa nossa relação.
Todos os dias nesse meio tempo lembrei de você. Boas lembranças. Um martírio. Uma contradição, já que boas lembranças são associadas ao prazer, coisa que nem de longe sentia sem você ao meu lado. Senti falta até do seu mau humor, aquele que você exalava quando fechava o tempo. Ainda assim te adorava. Como foi triste ter que te espionar como se estivesse fugindo de alguma coisa, como se devesse algo a sociedade. Por sinal, agradeço às amigas janelas por sempre me darem uma colher de chá. Durante esse tempo elas foram boas carcereiras. Quando todos estavam distraídos elas me ajudavam abrindo frestas para que eu te admirasse. Você ali, no seu mais alto grau de beleza, exclusivamente disponível e eu tendo que me manter preso, cativo como um bicho. Logo você que foi minha parceira desde o tempo que eu era uma criança.
Suponho que você deva estar pensando que essa carta seja uma tentativa de redenção de minha parte, mas não é, pois não fiz nada demais. Passei por poucas e boas. Os locais por onde andei eram escuros, frios, muitas vezes barulhentos e não me ofereciam nenhuma opção de contato. Vivia numa espécie de “liberdade condicional”, era solto apenas no fim do horário comercial. Como tentar uma reaproximação se o meu horário de almoço não dava nem pro almoço? Torno a dizer, minha sorte foram as janelas. Agora você entende o motivo de minha ausência? Mas passou. Aqui onde estou é tudo muito diferente, tudo mais ameno.
Queria muito que soubesse que o real motivo de te escrever essa carta passa longe de ser apenas admiração, também é saudade, exata, nua e crua. Reconheço, tive medo de você não mais lembrar do meu rosto, afinal, tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou. E como te disse, tudo muda numa década e uma das coisas que aprendi foi deixar o passado no passado, mas ultimamente tenho me recordado em excesso de nossos momentos juntos, de nossas conversas, dos nossos lanches, de quando assistíamos aos nossos programas favoritos e até mesmo de nossas dormidas. Ah, nossas dormidas! Lembra o quanto minha mãe detestava nos flagrar dormindo juntos e ainda por cima na cama dela?
Pretendo nunca mais te abandonar. Essa carta também funciona como um “divisor de águas” pra mim. Marca o começo de uma nova fase, que pretendo aproveitar da melhor maneira, como um faminto devorando um prato de comida. Sabia que me colocaram ao lado de uma janela? Rsrs! Parece brincadeira, não é? Mas é verdade, sendo que agora não mais como carcereira, mas sim como companheira fiel. No mais, fico por aqui. Se durante a semana eu não entrar em contato não se preocupe, falo com você entre o sábado e o domingo, já que no meu quarto também tem uma janela. Abraços bem mais que saudosos.
Todos os dias nesse meio tempo lembrei de você. Boas lembranças. Um martírio. Uma contradição, já que boas lembranças são associadas ao prazer, coisa que nem de longe sentia sem você ao meu lado. Senti falta até do seu mau humor, aquele que você exalava quando fechava o tempo. Ainda assim te adorava. Como foi triste ter que te espionar como se estivesse fugindo de alguma coisa, como se devesse algo a sociedade. Por sinal, agradeço às amigas janelas por sempre me darem uma colher de chá. Durante esse tempo elas foram boas carcereiras. Quando todos estavam distraídos elas me ajudavam abrindo frestas para que eu te admirasse. Você ali, no seu mais alto grau de beleza, exclusivamente disponível e eu tendo que me manter preso, cativo como um bicho. Logo você que foi minha parceira desde o tempo que eu era uma criança.
Suponho que você deva estar pensando que essa carta seja uma tentativa de redenção de minha parte, mas não é, pois não fiz nada demais. Passei por poucas e boas. Os locais por onde andei eram escuros, frios, muitas vezes barulhentos e não me ofereciam nenhuma opção de contato. Vivia numa espécie de “liberdade condicional”, era solto apenas no fim do horário comercial. Como tentar uma reaproximação se o meu horário de almoço não dava nem pro almoço? Torno a dizer, minha sorte foram as janelas. Agora você entende o motivo de minha ausência? Mas passou. Aqui onde estou é tudo muito diferente, tudo mais ameno.
Queria muito que soubesse que o real motivo de te escrever essa carta passa longe de ser apenas admiração, também é saudade, exata, nua e crua. Reconheço, tive medo de você não mais lembrar do meu rosto, afinal, tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou. E como te disse, tudo muda numa década e uma das coisas que aprendi foi deixar o passado no passado, mas ultimamente tenho me recordado em excesso de nossos momentos juntos, de nossas conversas, dos nossos lanches, de quando assistíamos aos nossos programas favoritos e até mesmo de nossas dormidas. Ah, nossas dormidas! Lembra o quanto minha mãe detestava nos flagrar dormindo juntos e ainda por cima na cama dela?
Pretendo nunca mais te abandonar. Essa carta também funciona como um “divisor de águas” pra mim. Marca o começo de uma nova fase, que pretendo aproveitar da melhor maneira, como um faminto devorando um prato de comida. Sabia que me colocaram ao lado de uma janela? Rsrs! Parece brincadeira, não é? Mas é verdade, sendo que agora não mais como carcereira, mas sim como companheira fiel. No mais, fico por aqui. Se durante a semana eu não entrar em contato não se preocupe, falo com você entre o sábado e o domingo, já que no meu quarto também tem uma janela. Abraços bem mais que saudosos.
Denis
Que lindo, Denis! Muito bonita a forma que você consegue falar das coisas que, aparentemente, são tão simples e ao mesmo tempo tão presentes no cotidiano.
ResponderExcluirBjoss
"A vida nos leva para caminhos distintos que algum tempo se tocam ou tocarão". Nada mais a dizer, já que tantos ,passaram pelo meu caminho, seguraram a minha mão, e hj a 'janela' se fechou.
ResponderExcluirSensacional! Parabéns! Seus textos são ótimos Denis. Subjetivos, porém claros... Têm um gosto especial, lê-los. Você tem o dom! Continue!!!
ResponderExcluirGostei tanto que vou compartilhar esse com minha turminha. Super beijo.